Executivos de grandes corporações de tecnologia têm repetido à exaustão um mesmo discurso alarmista: a Inteligência Artificial está prestes a substituir milhões de empregos de colarinho branco em um prazo recorde de 18 meses a dois anos. Promessas de robôs autônomos assumindo postos de trabalho em engenharia, análise financeira e tarefas administrativas dominam manchetes e geram ansiedade em profissionais do mundo todo.
No entanto, em chamadas fechadas com investidores da área de infraestrutura, esses mesmos executivos enfrentam uma realidade bastante diferente. O prazo para a entrega de turbinas a gás necessárias para alimentar esses data centers gigantescos varia entre 5 e 7 anos, e as filas de espera para conexão com a rede elétrica convencional avançam pela década de 2030.
Afinal, qual dessas duas visões representa a verdade? Quando confrontamos as narrativas de marketing com as leis fundamentais da engenharia, da termodinâmica e da infraestrutura energética, a resposta fica clara: a conta simplesmente não fecha.
